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Hamilton faz história, vence GP de Eifel e iguala recorde de Schumacher na Fórmula 1

Em grande dia para a Fórmula 1, com direito a corrida bastante movimentada em Nürburgring, Lewis Hamilton escreveu uma página dourada na história do esporte ao igualar o recorde de vitórias de Michael Schumacher. Max Verstappen foi o segundo colocado e, beneficiado pelo abandono de Valtteri Bottas, Daniel Ricciardo levou a Renault ao pódio

Verstappen, Hamilton e Ricciardo no pódio de Nürburgring — Foto: Getty Images

11 de outubro de 2020 entra definitivamente para a história de Fórmula 1. Na nublada tarde deste domingo, em Nürburgring, Lewis Hamilton igualou o recorde de vitórias que pertencia unicamente a Michael Schumacher desde 2001. Com o triunfo no agitado GP de Eifel, 11ª etapa da temporada 2020, o britânico chegou, enfim, à vitória 91 no Mundial de F1, uma marca outrora inalcançável. Um dia ímpar na carreira daquele que é um dos maiores esportistas de todos os tempos.

Em dia marcado pelo abandono do pole, Valtteri Bottas, por conta de problemas no motor, Max Verstappen levou a Red Bull a mais um pódio e cruzou a linha de chegada em um sólido segundo lugar, além de ter feito a volta mais rápida, abocanhando o ponto extra do dia.

A luta pelo terceiro lugar foi um embate bastante parelho nas voltas finais entre Daniel Ricciardo e Sergio Pérez. Com muita valentia, o australiano conseguiu segurar a pressão do piloto da Racing Point e levou a Renault ao pódio pela primeira vez desde que Nick Heidfeld terminou o GP da Malásia de 2011 em terceiro lugar. A conquista faz Ricciardo vencer a aposta que fez neste ano com Cyril Abiteboul, chefe da Renault, que agora terá de fazer uma tatuagem, com desenho a ser escolhido pelo piloto.

Pérez teve de se contentar com o quarto lugar, mesmo assim um bom resultado para o mexicano, enquanto Carlos Sainz, da McLaren, foi o quinto. Pierre Gasly, outro que fez grande prova depois de ter iniciado a disputa no pelotão intermediário, chegou em sexto lugar com a AlphaTauri, à frente da Ferrari de Charles Leclerc, que largou em quarto, mas não teve ritmo para segurar os adversários.

Nico Hülkenberg, que partiu em último, terminou a corrida em oitavo, seguido pela Haas de Romain Grosjean, que marca assim seus primeiros pontos em 2020. Antonio Giovinazzi, com a Alfa Romeo, fechou o top-10 em Nürburgring.

Lewis Hamilton venceu o GP de Eifel e fez história no Mundial de Fórmula 1 (Foto: Mercedes)

A próxima etapa da temporada 2020 do Mundial de Fórmula 1 é o GP de Portugal, marcado para o Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, em duas semanas. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

Saiba como foi o GP de Eifel de Fórmula 1

Com apenas 9ºC de temperatura ambiente e 18ºC no asfalto, a Fórmula 1 partiu para uma corrida que tinha tudo para ser histórica para Lewis Hamilton. O hexacampeão do mundo largou bem e atacou o pole, Valtteri Bottas, e chegou a tomar a ponta. Mas o finlandês jogou duro, emparelhou com o companheiro de equipe de forma agressiva e reassumiu a liderança da prova.

Com a largada, Kimi Räikkönen chegou a 323 GPs e superou um recorde que durava desde 2011 e pertencia ao brasileiro Rubens Barrichello, que segue muito ativo nas pistas do Brasil, na Stock Car, e da Argentina, no Super TC2000.

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Bottas emparelha com Hamilton e defende a liderança na primeira curva do GP de Eifel (Foto: F1/Twitter)

Max Verstappen seguiu em terceiro lugar, à frente de Charles Leclerc, Daniel Ricciardo e Alexander Albon, que caiu para sexto. Lá no fim do grid, Nico Hülkenberg subiu para 17º, ganhando três posições.

As primeiras voltas da corrida evidenciavam que o ritmo de corrida da Ferrari de Leclerc, que segurava a Renault de Ricciardo na luta pelo quarto lugar

Albon, que estava logo atrás de Leclerc e Ricciardo, antecipou o pit-stop, trocou os pneus macios pelos médios e tentou o chamado ‘undercut’, quando um piloto tenta ganhar uma posição na pista depois dos trabalhos nos boxes. Já a outra Red Bull, de Max Verstappen, se aproximava muito de Hamilton e esboçava uma briga pelo segundo lugar.

Na volta 9, Ricciardo fez excelente manobra por fora na curva 2 sobre Leclerc para fazer a ultrapassagem e subir para quarto. Naquele momento, a chuva ameaçava dar as caras em Nürburgring.

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Ricciardo passa Leclerc por fora em grande manobra no GP de Eifel (Foto: Reprodução)

Duas voltas depois, o monegasco foi ao pit-lane para fazer sua troca de pneus. Ao mesmo tempo, Sebastian Vettel rodou no fim da curva 1 ao frear forte para não bater na traseira da Alfa Romeo de Antonio Giovinazzi. O tetracampeão aproveitou o revés para fazer a troca de pneus e mudar dos compostos médios para os duros.

Um dos momentos capitais da corrida aconteceu na volta 11. Bottas perdeu o ponto de frenagem na curva 1, travou o pneu dianteiro direito e perdeu muito tempo. O finlandês viu a aproximação de Hamilton e não conseguiu evitar a ultrapassagem. O hexacampeão assumiu a liderança, com Verstappen em segundo depois que Valtteri foi aos boxes para fazer seu pit-stop, mudando dos macios para os médios.

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Depois de travar o pneu dianteiro direito, Bottas vê Hamilton fazer a ultrapassagem (Foto: F1/Twitter)

No dia do recorde de largadas, Räikkönen, que lutava por posição com a Williams de George Russell, tocou no carro do britânico, que quase capotou na saída da curva 1. O piloto teve de abandonar logo em seguida, e a direção de prova precisou acionar o safety-car virtual brevemente para remover o carro. Räikkönen foi considerado culpado pelo incidente e foi punido em 10s.

Hamilton e Verstappen aproveitaram a curta vigência do VSC e fizeram os respectivos pit-stops. Quando voltou à pista, Lewis tinha vantagem de quase 13s para Bottas, que aparecia em terceiro.

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Räikkönen acerta a Williams de Russell e leva punição em Nürburgring (Foto: F1/Twitter)

Mas o finlandês enfrentava mais problemas e tinha de lidar com a falta de potência do motor Mercedes. Lento, Valtteri acabou sendo ultrapassado pela McLaren de Lando Norris e pela Racing Point de Sergio Pérez, caindo assim para quinto. O nórdico ainda se arrastou até os boxes antes de abandonar a corrida depois de um grande início em Nürburgring. Foi o primeiro abandono de um carro da Mercedes na temporada.

Daniil Kvyat, que passou reto pela chicane e acabou sendo acertado por Albon, foi outro piloto em jornada complicada depois de ver a asa dianteira se soltar do carro. O russo também precisou voltar aos boxes.

Albon chegou a ser punido pela direção de prova em 5s, mas o piloto teve de abandonar com problemas então não especificados pela Red Bull. Outro competidor que deixou a corrida, depois de ter chegado a andar em quinto, foi Esteban Ocon, em razão de problemas hidráulicos no carro da Renault.

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Abandono de Valtteri Bottas foi o primeiro da Mercedes em 2020 (Foto: F1/Reprodução)

A prova continuava problemática para muitos pilotos. Norris foi outro que reclamou de falta de potência do motor e vinha mais lento, o que permitiu a aproximação de Pérez, enquanto Sainz era o quinto. Mas os três ainda precisavam fazer seus respectivos pit-stops, enquanto Ricciardo, que já tinha feito a troca de pneus, era o sexto. O australiano despontava para, finalmente, levar a Renault ao pódio. Por sua vez, Hülkenberg já aparecia na nona posição.

Pérez e Sainz fizeram as trocas de pneus na mesma volta, a 29ª. Ricciardo, então, subiu para quarto. Na volta seguinte, foi a vez de Norris, que afirmou que o problema de falta de potência persistia no motor Renault do carro da McLaren. Hülkenberg, que fez 30 voltas com pneus macios, também fez sua parada.

No início da metade final da corrida a ordem era: Hamilton, Verstappen, Ricciardo, Leclerc, Pérez e um valente Norris, que mesmo com os problemas tentava lutar com o mexicano pelo quinto lugar. Mas ‘Checo’ conseguiu abrir vantagem e passou a disputar posição com a Ferrari do monegasco e fez a ultrapassagem na saída da chicane. Só que Leclerc respondeu depois de usar a asa móvel e retomou o quarto lugar no fim da reta dos boxes.

Pérez fez manobra parecida na chicane uma volta depois, fez nova ultrapassagem, mas desta vez conseguiu evitar a resposta de Leclerc, assumindo de vez o quarto lugar. Foi a senha para o piloto da Ferrari ir aos boxes para seu segundo pit-stop.

Hamilton fazia uma corrida solitária na frente e tinha vantagem de 8s8 para Verstappen, partindo firme rumo à vitória 91 na carreira. Mas o britânico reportava desgaste no pneu dianteiro direito enquanto entrava na volta 40 da prova.

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Safety-car provocado pelo abandono de Lando Norris agitou fim do GP de Eifel (Foto: Reprodução)

Norris lutou muito, mas não conseguiu impedir o abandono, que aconteceu na volta 44. A posição onde o carro ficou parado, na área de escape da curva 3, levou a direção de prova a acionar o safety-car. Foi o que bastou para provocar uma grande movimentação nos boxes para as trocas de pneus.

Hamilton seguia na frente, com Verstappen em segundo, Ricciardo em terceiro e Pérez logo atrás. Lewis pressionava a direção de prova para forçar o safety-car a andar mais rápido e ajudar no aquecimento dos pneus. Entre os dez primeiros, Romain Grosjean, da Haas, aparecia na sétima posição e tentava se manter na pista em um longo stint com os pneus duros. Hülkenberg, por sua vez, era o nono.

A relargada foi autorizada na volta 50. A maior preocupação era com os pneus muito frios. Hamilton se manteve na frente, com Verstappen em segundo e Ricciardo em terceiro, enquanto Pérez era pressionado por Sainz e Leclerc vinha em sexto.

Pierre Gasly, que estava logo atrás da Ferrari do monegasco, aproveitou o melhor desempenho e aquecimento dos pneus macios e superou o adversário. Charles, então, ficou sob a alça de mira de Hülkenberg, que fazia grande corrida de recuperação depois de ter largado em último. E Grosjean lutava com a Alfa Romeo de Antonio Giovinazzi para somar seus primeiros pontos na temporada.

Ao fim de 60 voltas, Hamilton cruzou a linha de chegada na frente e fez história. Sim, estamos diante da história, com o mais novo piloto a chegar à incrível marca de 91 vitórias na maior das categorias do esporte a motor.

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