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Fantasias criativas marcam desfile do Cordão da Bola Preta no Rio

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Ao completar 102 anos de história, o Cordão do Bola Preta arrasta mais uma vez uma multidão pelo centro da cidade do Rio de Janeiro. Para acompanhar o mais antigo bloco da cidade, os foliões levantaram cedo. Muitos trajavam fantasias preparadas com exclusividade para homenagear o bloco. A concentração estava marcada para as 8h, na Avenida Antônio Carlos.

“Mais um carnaval do Bola Preta sempre com aquele lema: tradição, paz, amor e folia. Pedimos a todos respeito ao seu semelhante. Carnaval é festa”, declarou o presidente do bloco, Pedro Ernesto, ao autorizar o movimento do trio elétrico.

Cordão da Bola Preta faz seu 102º pelas ruas do centro do Rio
Cordão da Bola Preta faz seu 102º pelas ruas do centro do Rio de Janeiro – Tomaz Silva/Agência Brasil

Como tradicionalmente ocorre, o cortejo teve início com a execução de Cidade Maravilhosa, samba que é conhecido como um hino popular do Rio de Janeiro. Na sequência, veio o hino do bloco, a Marcha do Cordão da Bola Preta, composta Nelson Barbosa e Vicente Paiva. “Quem não chora não mama, segura meu bem a chupeta. Lugar quente é na cama ou então no Bola Preta”, diz o refrão.

“Todo ano estou aqui linda e maravilhosa. É o bloco mais tradicional do Rio. Se não tiver Cordão da Bola Preta, acabou o carnaval”, decretou a auxiliar de creche Marta Veloso.

Em cima do carro de som, distribuem acenos a cantora Maria Rita, madrinha do bloco; o carnavalesco Neguinho da Beija-Flor, padrinho; a atriz Leandra Leal, porta-estandarte há mais 10 anos; e a cantora Emanuelle Araújo, que assumirá o microfone para uma participação especial. A atriz Paola Oliveira é rainha do bloco pelo segundo ano consecutivo.

Cordão da Bola Preta faz seu 102º pelas ruas do centro do Rio
Cordão da Bola Preta faz seu 102º pelas ruas do centro do Rio de Janeiro – Tomaz Silva/Agência Brasil

Leandra Leal destacou o discurso de respeito às mulheres encampado pelo bloco. “Estamos em um momento lindo para ser mulher. Não só aqui no Cordão da Bola Preta, mas na avenida também. E é isso, vamos curtir carnaval. O carnaval tem uma força feminina, está na tradição. Então, acho que tem que se fantasiar e celebrar, tem que se permitir”, disse.

Fundação

O Cordão da Bola Preta foi fundado em 1918 e é o último representante remanescente dos antigos cordões carnavalescos que existiam no Rio de Janeiro no início do século 20. Atravessou décadas se dedicando a preservar as músicas de carnaval como marchinhas, samba-enredos, entre outros. Na década de 1990, quando a capital fluminense viveu um esfriamento do carnaval de rua, o Cordão do Bola Preta era um dos únicos que desfilava no centro da cidade.

Cordão da Bola Preta faz seu 102º pelas ruas do centro do Rio
Cordão da Bola Preta faz seu 102º pelas ruas do centro do Rio de Janeiro – Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma das principais marcas do desfile é a criatividade dos foliões, que preparam fantasias exclusivas para homenagear o bloco. O coordenador de loja Felipe Mello marca presença pela quinta edição consecutiva. “Cada ano é uma fantasia diferente, mas sempre inventando algo relacionado ao bloco. Nesse ano estou de palhaço, nas cores do Cordão do Bola Preta. É a tradição do Rio de Janeiro. A energia aqui é inexplicável”, disse.

A confeiteira Flávia Vieira conta que há 10 anos participa do desfile e disse que nem a ameaça de chuva lhe tira dali. “É um ambiente familiar. As pessoas que vêm são maduras. Não tem briga, é super tranquilo. Me sinto super a vontade. E tem que vir de preto e branco. O negócio é causar e com muito glitter“.

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